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BE Castanheira de Pera

Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto - Castanheira de Pera

BE Castanheira de Pera

Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto - Castanheira de Pera

"Anjo és", poema de Almeida Garrett

04.06.16

AlmeidaGarrett01

    Almeida Garrett (4 Fev 1799 // 9 Dez 1854) 

    Escritor/Dramaturgo/Orador

 

Anjo És

Anjo és tu, que esse poder
Jamais o teve mulher,
Jamais o há-de ter em mim.
Anjo és, que me domina
Teu ser o meu ser sem fim;
Minha razão insolente
Ao teu capricho se inclina,
E minha alma forte, ardente,
Que nenhum jugo respeita,
Covardemente sujeita
Anda humilde a teu poder.
Anjo és tu, não és mulher.

Anjo és. Mas que anjo és tu?
Em tua fronte anuviada
Não vejo a c'roa nevada
Das alvas rosas do céu.
Em teu seio ardente e nu
Não vejo ondear o véu
Com que o sôfrego pudor
Vela os mistérios d'amor.
Teus olhos têm negra a cor,
Cor de noite sem estrela;
A chama é vivaz e é bela,
Mas luz não têm. - Que anjo és tu?
Em nome de quem vieste?
Paz ou guerra me trouxeste
De Jeová ou Belzebu?

Não respondes - e em teus braços
Com frenéticos abraços
Me tens apertado, estreito!...
Isto que me cai no peito
Que foi?... - Lágrima? - Escaldou-me...
Queima, abrasa, ulcera... Dou-me,
Dou-me a ti, anjo maldito,
Que este ardor que me devora
É já fogo de precito,
Fogo eterno, que em má hora
Trouxeste de lá... De donde?
Em que mistérios se esconde
Teu fatal, estranho ser!
Anjo és tu ou és mulher?

Almeida Garrett, in "Folhas Caídas"
 

"Não és tu", poema de Almeida Garrett

03.06.16

 

AlmeidaGarrett01

     Almeida Garrett (4 Fev 1799 // 9 Dez 1854) 

       Escritor/Dramaturgo/Orador

 

Não És Tu

Era assim, tinha esse olhar,
A mesma graça, o mesmo ar,
Corava da mesma cor,
Aquela visão que eu vi
Quando eu sonhava de amor,
Quando em sonhos me perdi.

Toda assim; o porte altivo,
O semblante pensativo,
E uma suave tristeza
Que por toda ela descia
Como um véu que lhe envolvia,
Que lhe adoçava a beleza.

Era assim; o seu falar,
Ingénuo e quase vulgar,
Tinha o poder da razão
Que penetra, não seduz;
Não era fogo, era luz
Que mandava ao coração.

Nos olhos tinha esse lume,
No seio o mesmo perfume ,
Um cheiro a rosas celestes,
Rosas brancas, puras, finas,
Viçosas como boninas,
Singelas sem ser agrestes.

Mas não és tu... ai!, não és:
Toda a ilusão se desfez.
Não és aquela que eu vi,
Não és a mesma visão,
Que essa tinha coração,
Tinha, que eu bem lho senti.

Almeida Garrett, in "Folhas Caídas"

Almeida Garrett (1799-1854)

02.06.16

 Almeida Garrett (1799 - 1854)

 

almeida-garret (3)

 

 

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett e mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett (Porto, 4 de fevereiro de1799 — Lisboa, 9 de dezembro de 1854), foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.

 

Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

 

Uma boa biografia: 

 

 

 

 

Para leres as obras literárias de Almeida Garrett em formato digital, consulta a Biblioteca Digital Almeida Garrett da Biblioteca Nacional de Portugal ou clica na imagem:

 

Biblioteca Almeida Garrett

 

 

 

Grandes Livros: "Viagens na Minha Terra", de Almeida Garrett

02.06.16

"Viagens na Minha Terra", de Almeida Garrett

 

 

 

O décimo episódio da Série "Grandes Livros", da RTP2 é "Viagens na Minha Terra", de Almeida Garrett, autor em destaque na BE este mês. A realização deste documentário é de João Osório, com guião de Alexandre Borges, coordenação de conteúdos de Nuno Estêvão, narração de Diogo Infante. Série televisiva produzida pela Companhia das Ideias, em 2009.