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BE Castanheira de Pera

Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto - Castanheira de Pera

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Prémio Nóbel da Literatura 2020

08.10.20

nóbel literatura2020.jpg

Anunciou a Academia Sueca, esta quinta-feira, 08/10/2020,  que a poeta norte-americana Louise Glück venceu o Prémio Nobel da Literatura 2020.

O júri atribuiu o galardão a Louise Glück, de 77 anos, para assinalar a sua "voz poética inconfundível, que com beleza austera, faz universal a existência individual" e acrescenta ainda que é uma dos "poetas mais proeminentes da literatura americana contemporânea".

O nome da autora nascida em 1943, em Nova Iorque, não estava na lista dos principais candidatos este ano, mas Glück tem um longo percurso nas letras dos EUA. Já venceu o Prémio Pulitzer (conquistado em 1993 com a obra "The Wild Iris"), e outros galardões, como a Medalha Nacional de Artes e Humanidades.

Atualmente a viver em Cambridge, Massachussetts (EUA), é também professora de Inglês na Universidade de Yale.

Estreou-se em 1968, com "Firstborn" e publicou já doze coleções de poesia - como "The Garden" (1976), "Vita nova" (1999), "Averno" (2006) e "Faithful and Virtuous Night", a mais recente obra poética, de 2014 e que lhe valeu o prémio National Book Award, nos Estados Unidos - e alguns volumes de ensaios sobre poesia.

Glück não tem obra publicada em Portugal, mas está representada na coletânea "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", da Assírio & Alvim (2001), com o poema "O Poder de Circe".

Louise Gluck torna-se na sétima mulher a ser distinguida este século e a 16.ª, desde 1901, entre as 117 pessoas a quem foi atribuido o Nobel da Literatura.

Paisagem/3.

Nos fins do outono uma rapariga deitou fogo
a um trigal. O outono

fora muito seco; o campo
ardeu como palha.

Depois não sobrou nada.
Se o atravessávamos, não víamos nada.

Nada havia para colher, para cheirar.
Os cavalos não compreendem –

Onde está o campo, parecem dizer.
Como tu ou eu a perguntar
onde está a nossa casa.

Ninguém sabe responder-lhes.
Não sobra nada;
resta-nos esperar, a bem do lavrador,
que o seguro pague.

É como perder um ano de vida.
Em que perderias um ano da tua vida?

Mais tarde regressas ao velho lugar –
só restam cinzas: negrume e vazio.

Pensas: como pude viver aqui?

Mas na altura era diferente,
mesmo no último verão. A terra agia
como se nada de mal pudesse acontecer-lhe.

Um único fósforo foi quanto bastou.
Mas no momento certo – teve de ser no momento certo.

O campo crestado, seco –
a morte já a postos
por assim dizer. 

(Terceira parte do poema Paisagem, que integra o livro Averno, 2006. Tradução de Rui Pires Cabral, publicada em 2009 no n.º 12 da revista Telhados de Vidro, editada pela Averno)

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