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Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto - Castanheira de Pera

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Óscar para o filme de animação "Divertida-Mente"

29.02.16

 

Óscar para o filme de animação "Divertida-Mente"

 

 

 

 

O filme de animação da Disney Pixar Inside Out: Divertida-Mente (2015), de Pete Docter e Ronnie del Carmen, venceu o prémio da sua categoria com uma história de uma menina que aprende a lidar melhor com as suas emoções - personificadas em cinco pequenas criaturas que alternadamente a guiam e desorientam. No seu discurso de agradecimento, o realizador Pete Docter aconselhou as crianças e jovens a quem o filme se dirige:

 

"Vai haver dias em que te sentes triste, em que te sentes zangado, em que te sentes assustado", declarou. "Não tens opção nisso, mas podes fazer coisas: Fazer filmes, desenhar, escrever. Vai fazer imensa diferença".

 

Com um argumento interessante e uma riqueza gráfica cheia de detalhes já conhecida da Pixar, Divertida-Mente é uma história sobre o que se passa dentro da cabeça da Riley, uma menina de 11 anos. A menina basicamente divide-se em cinco emoções básicas: Alegria, Tristeza, Raiva, Repulsa e Medo. Cada uma equivale a uma personagem, caracterizada por cores e comportamentos – a Raiva explode com facilidade, a Alegria é eufórica, a Tristeza é baixo-astral, a Repulsa é fresquinha e o Medo tenta fugir de tudo.

 

 

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 As cinco emoções básicas.

 

 

O realizador desta longa-metragem de animação 3D, Pete Docter, chegou a afirmar que as personagens são baseadas nas seis emoções universais propostas pelo psicólogo norte-americano Paul Ekman. A versão final do filme traz apenas cinco, já que a Surpresa foi descartada pela sua “redundância” em relação ao Medo, segundo Docter.

 

Após uma apresentação individualizada, logo percebemos que as emoções se baralham na cabeça de Riley, mesclando, em medidas nada definidas, a Raiva com a Alegria, a Repulsa com o Medo e outras combinações possíveis.

 

A Tristeza, porém, é vetada com frequência, principalmente quando se aproxima das memórias-base da menina. Ela é considerada, pelas outras emoções, um elemento que contamina. O curioso é que, por mais que seja repelida, é a Tristeza a representação gráfica mais adorável e carismática.

 

Essas emoções são apresentadas durante um recorte da vida de Riley, mais precisamente quando ela é obrigada a mudar-se do Minnesota para São Francisco com os pais. O que parecia empolgante pela novidade começa a descontruir-se em problemas – simultaneamente, as emoções de Riley saem do controlo e as suas ilhas da personalidade, armazenadoras de memórias e definidas como Família, Amizade, Honestidade, Brincadeira e Desporto, começam a desmoronar-se.

 

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 Repulsa, Raiva, Alegria, Tristeza e Medo na Sala de Comando do Cérebro da Riley.

 

 

A tentativa de impedir o “reinado” da Tristeza faz com que a Alegria coloque em risco as memórias de Riley, deixando-as escapar por locais não visitados da mente da garota. Esse embate entre o lado triste e o lado alegre de cada um de nós não é novidade, mas há uma pressão social para que não se reconheça o valor da tristeza, pondera Karin de Paula, psicanalista e doutora em Processos de Singularização pela PUC-SP.

 

“Sem querer fazer uma celebração da tristeza — esta é, sem dúvida, desorganizadora e mobilizadora do novo. Ninguém (a sociedade) quer saber disso! Curiosamente, no referido filme americano, a personagem Tristeza está domesticada e é colocada na função de dar soluções para a trama montada. Sintomático!”

 

 

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 A Tristeza...

 

 

A história sobre as emoções em Divertida-Mente é simplista. Afinal, temos um espectro muito mais complexo do que seis emoções básicas, e elas estão fortemente conectadas à experiência particular e, portanto, única de cada um. Tomá-las como uma ideia normativa acaba por anular o sentido que uma experiência possa ter permitido para alguém, alerta Paula. “[Essas emoções] Sustentam muitas idealizações e não permitem a alguém se apropriar de sua própria vivência.”

 

Depois de passar pelo desconhecimento das suas emoções, Riley tem o seu sofrimento identificado apenas quando a Tristeza contamina as suas lembranças e lança luz sobre a saudade que ela está a sentir do Minnesota e sobre a frustração com os pais por causa da mudança, entre outras antíteses à Alegria. Num paralelo com a vida real, algumas pessoas podem identificar-se com essas reações, mas não chegam a ser universais porque cada um tem uma vivência única.

 

Mesmo assim, Divertida-Mente encanta crianças e adultos por trazer uma representatividade gráfica para assuntos abstratos e complexos. Hoje em dia, predominam as receitas e passo-a-passos de como ser feliz ou eliminar a tristeza, tratada como inconveniente.

 

Ainda que o filme sugira uma “organização das emoções”, o que aponta para uma simples adaptação a situações – e sabemos que a vida não é assim –, é um alívio ver a Tristeza a tomar as rédeas, mesmo que num filme moralizante.

 

A Tristeza gera empatia e revela ser imprescindível para a vida. Numa cultura tão voltada para a medicalização ou domesticação das emoções, essa frestinha aberta para a tristeza merece ser festejada.

 

In Huffpost.Brasil

NB: Texto editado e passado para a oralidade de Portugal pela Equipa BE.

 

 

Divertida-Mente, um filme de animação que já foi exibido na primeira sessão do Cinedetetive e que está disponível para visualização na tua BE. Se ainda não o viste, do que estás à espera para veres?

 

  

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