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BE Castanheira de Pera

Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto - Castanheira de Pera

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13
Jun16

"Como é por dentro outra pessoa", Fernando Pessoa

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   Fernando Pessoa (13 de junho de 1888 - 30 de novembro de 1935)

    Poeta e escritor português

 

 

"Como é por dentro outra pessoa"

 

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

 

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

 

 

Fernando Pessoa

In Poesias Inéditas (1930-1935). Lisboa: Ática. 1955. (imp. 1990). p. 159.

 

 

"Como é por dentro outra pessoa", poema de Fernando Pessoa, dito por Hugo Moura:

 

 

 

In Portal Raízes

 

04
Abr16

Grandes Livros: "O Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa

Equipa BE

"O Livro do Desassossego",

Bernardo Soares (Fernando Pessoa)

  

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O oitavo episódio da Série "Grandes Livros", da RTP2 é "O Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa (sob o semi-pseudónimo de Bernardo Soares), autor em destaque na BE este mês. A realização deste documentário é de João Osório, com guião de Alexandre Borges, coordenação de conteúdos de Nuno Estêvão, narração de Diogo Infante. Série televisiva produzida pela Companhia das Ideias, em 2009. 

 

 

 

21
Fev16

Na banda desenhada, Fernando Pessoa é "herói da sua própria vida"

Equipa BE

Na banda desenhada, Fernando Pessoa é

"herói da sua própria vida"

 

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Muito já se escreveu sobre a vida daquele que é considerado o mais universal poeta português mas nunca, até agora, um livro de banda desenhada.

A mais recente biografia sobre Fernando Pessoa pode ler-se… aos quadradinhos.

 

Chama-se ‘As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal...’ e com ela o casal de artistas Miguel Moreira, argumentista e desenhador, e Catarina Verdier, colorista, abrem ao leitor uma nova janela para o universo pessoano.

 

Com este livro podemos ver Fernando Pessoa não como um tradicional herói de banda desenhada, mas “como o herói da sua própria vida”, contou ao Notícias ao Minuto Miguel Moreira.

 

É uma história do nascimento à morte, passando pelos amores de Ofélia, pelo “dia triunfal”, pela Revista Orpheu e até um livro dentro do livro dedicado a Bernardo Soares, com base em informações contidas no ‘Livro do Desassossego’, entre outras peripécias.

 

“Primeiro surgiu o interesse por Fernando Pessoa e depois achei piada transformá-lo num boneco e contar as suas aventuras” que passam pelo retrato da vida e obra do poeta, mas também pelo próprio quotidiano, “a que pessoa dava muita importância”.

 

Entre investigar, escrever, desenhar e colorir, a ‘empreitada’ de 176 páginas levou uma década a ficar concluída, anos em que o livro “esteve muito presente” na vida do casal.

 

“A vantagem de desenhar é poder retratar Pessoa em sítios onde não podemos vê-lo através de fotografias” e o resultado é “agradável de ver e ler”, considera Miguel Moreira. “O desenho torna a leitura numa experiencia mais enriquecedora” e a própria cor “é um elemento muito importante”.

 

Mas nem por isso as palavras do poeta estão menos presentes. Além de informação biográfica, este livro inclui “muito texto, poemas completos e páginas onde “o texto ilustrado substitui a BD”.

 

O livro ‘As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal...’ foi publicado pela editora Parceria A. M Pereira, a única a editar o trabalho de Fernando Pessoa em vida.

 

Carolina Rico in Notícias ao Minuto

 

24
Out15

"Tabacaria", Fernando Pessoa

Equipa BE

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Tabacaria

 

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

 

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

 

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

 

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

 

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

 

 

Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa), publicado pela primeira vez na revista Presença n.º39, julho de 1933.

 

14
Mar15

O Guardador de Rebanhos: "Eu sou do tamanho do que vejo"

Equipa BE

 

 

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VII

 

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura...

 

Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

 

“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa