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BE Castanheira de Pera

Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Bissaya Barreto - Castanheira de Pera

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01
Jul16

Jorge de Sena (1919 - 1978)

Equipa BE

Jorge de Sena (1919 - 1978)

 

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Jorge Cândido Alves Rodrigues Telles Grilo Raposo de Abreu de Sena GCSE (Lisboa, 2 de Novembro de 1919 —Santa Barbara, Califórnia, 4 de Junho de 1978) foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português.

 

Filho único de Augusto Raposo de Sena, natural de Ponta Delgada e comandante da marinha mercante, e de Maria da Luz Telles Grilo de Sena, natural da Covilhã e dona-de-casa. Ambas as famílias eram da alta burguesia, a paterna de suposta linhagem aristocrática de militares e altos funcionários, e a materna de comerciantes ricos do Porto. Segundo relata no seu conto Homenagem ao Papagaio Verde, teve uma infância recolhida, solitária e infeliz, o que fez com se tornasse introspectivo, observador e imaginativo.

 

Fez os estudos secundários no Liceu Camões, onde foi aluno de Rómulo de Carvalho. Era um jovem que lia avidamente, tocava piano e escrevia poemas. Na Faculdade de Ciências de Lisboa, fez os exames preparatórios com as notas mais elevadas.

 

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 Escola Naval, 1937: cadete Jorge de Sena.

 

 

Sena nutria a ideia algo romântica de se tornar oficial da marinha, seguindo as pisadas do pai. Em 1938, aos 17 anos, entrou para a Escola Naval como 1.º do seu curso. A 2 de outubro de 1937, iniciou a sua viagem de instrução a bordo do navio-escola Sagres. Visitou os portos de S. Vicente, Santos, Lobito, Luanda, S. Tomé e Dakar, chegando a Lisboa no final de Fevereiro de 1938. O contacto com a imensidão do oceano, a azáfama da vida a bordo e o movimento e mudança constantes agradaram ao jovem Sena, mas nem tudo correu bem, pois se era brilhante, intelectualmente, não mostrava a aptidão física exigida.

 

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 Jorge de Sena

 

 

Apesar da sua inclinação natural para a literatura, Sena frequenta, em Setembro de 1942, o primeiro ciclo do Curso de Oficiais Milicianos, o qual abandona, enfrentando graves problemas de saúde. Depois de um ano letivo em Lisboa, regressa, em 1943, apoiado financeiramente por Ruy Cinatti e José Blanc de Portugal, à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (que iniciara em 1940) para frequentar o curso de Engenharia Civil, concluindo-o em 1944.

 

O curso pouco o entusiasmou, mas durante todo esse tempo escreveu bastantes poemas, artigos, ensaios e cartas. Desde os 16 anos que escrevia e em 1940, sob o pseudónimo de Teles de Abreu, publicou os seus primeiros poemas na revista Cadernos de Poesia, dirigida por Cinatti, Blanc de Portugal e Tomás Kim. Em 1942, publica o seu primeiro livro de poemas, Perseguição, que não impressiona muito o seu amigo e crítico João Gaspar Simões e Adolfo Casais Monteiro considera-o um livro revelador mas difícil.

 

Em 1947, Sena inicia a sua carreira de engenheiro, que durou 14 anos. Trabalhou como engenheiro civil na Câmara Municipal de Lisboa, na Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização e na Junta Autónoma das Estradas (JAE), onde permanecerá até ao seu exílio para o Brasil em 1959.

 

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 Maria Mécia de Freitas Lopes, fotografada por Fernando Lemos.

 

 

Em 1940, no Porto, Jorge de Sena conhece e torna-se amigo de Maria Mécia de Freitas Lopes (irmã do crítico e historiador literário Óscar Lopes), começando a namorar em 1944 e casando-se em 1949. Jorge de Sena e Mécia de Sena tiveram nove filhos.

 

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 Jorge de Sena e Mécia F. Lopes

 

 Trabalhou incansavelmente, para sustentar a crescente família. Além do seu absorvente trabalho diurno na JAE (que lhe possibilitou viajar e conhecer o Portugal profundo), Sena também se dedicava à direção literária em editoras, à tradução e revisão de textos, ocupações que lhe roubavam precioso tempo para a investigação literária e a para a sua obra. A banalidade e a pequenez do quotidiano no Portugal de Salazar das décadas de 1940 e 1950 atormentam-no, bem assim como a mediocridade, a mesquinhez e a intriga dos meios literários, a opressão política, a censura literária, resultando num ambiente de trabalho sufocante e absolutamente frustrante, mas que não deixam de o inspirar para o poema É tarde, muito tarde na noite…

 

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 Jorge de Sena fotografado por Fernando Lemos.

 

 

Durante esses anos publica várias obras: O Dogma da Trindade Poética – Rimbaud (1942), Coroa da Terra, poesia (1946), Páginas de Doutrina Estética de Fernando Pessoa (organização), 1946, Florbela Espanca (1947), Pedra Filosofal poesia (1950), A Poesia de Camões (1951), etc. Colabora na revista Mundo Literário (1946-1948) com contos e poesia e também como crítico artístico na rúbrica cinema.

 

A sua situação como escritor e cidadão tornou-se insustentável. Como escritor, não tinha tempo livre para escrever, apenas o podia fazer de modo insuficiente e limitado à noite e aos domingos. Também o facto de não pertencer a nenhum círculo académico e a falta de apoio institucional frustrava-lhe qualquer pretensão de poder vir a editar alguma obra mais ambiciosa. Por outro lado, a sua participação numa tentativa revolucionária abortada em 12 de Março de 1959, colocou-o em posição de prisão iminente, no caso muito provável de algum dos conspiradores presos pela PIDE denunciar os que ainda se encontravam livres.

 

Em Agosto de 1959, viajou até ao Brasil, convidado pela Universidade da Bahia e pelo Governo Brasileiro a participar no IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros. Tendo sido convidado como catedrático contratado de Teoria da Literatura, em Assis, no Estado de São Paulo, aproveitou essa oportunidade e aceitou o lugar, iniciando assim o seu longo exílio. Ele faz amizade com o poeta Jaime Montestrela, que dedicou o seu livro Cidade de lama. Por motivos profissionais, teve de adotar a cidadania brasileira.

 

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Em 1961, Jorge de Sena foi ensinar Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara. Em 1964, depois de vencer alguns preconceitos académicos pelo facto de ser licenciado em Engenharia, Jorge de Sena defendeu a sua tese de doutoramento em Letras (Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular), tendo obtido os títulos académicos "com distinção e louvor".

 

O período de seis anos que passou no Brasil foi muito produtivo. Finalmente, tinha toda a disponibilidade para se dedicar à sua obra com a devida profundidade e profissionalismo. Poesia, teatro, ficção, ensaísmo e investigação. Parte do romance Sinais de Fogo e a totalidade dos contos Novas Andanças do Demónio foram escritos neste período.

 

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A degradação da situação política no Brasil, com a instalação de uma ditadura militar a partir de Março de 1964, fez com que Jorge de Sena, mais do que nunca avesso a prepotências, aceitasse um convite para ensinar Literatura de Língua Portuguesa na Universidade de Wisconsin, para partir para os Estados Unidos em Outubro de 1965. Em 1967 foi nomeado catedrático do Departamento de Espanhol e Português da referida universidade.

 

De 1970 até 1978 foi catedrático efetivo de Literatura Comparada na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara. Apesar da satisfação de ensinar e da amizade que os alunos lhe dedicavam, Sena não foi feliz. Queixava-se da "medonha solidão intelectual da América" onde não havia "convívio intelectual algum" e da esterilidade e espírito burguês do meio académico, que não se interessava pela sua obra.

 

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 Jorge de Sena ladeado por Óscar Lopes (esq.) e Eugénio de Andrade (dta).

 

 

Quando se deu o 25 de Abril, Jorge de Sena desejou regressar definitivamente a Portugal, ansioso por dar a sua colaboração para a construção da democracia. Sena visitou Portugal, contudo, nenhuma universidade ou instituição cultural portuguesa se dignou convidar o escritor para qualquer cargo que fosse, facto que muito o desiludiu e amargurou, decidindo continuar a viver nos Estados Unidos da América, onde tinha a sua carreira estabelecida.

 

Jorge de Sena morreu em 4 de Junho de 1978, aos 58 anos, de cancro.

 

In Wikipédia

 

15
Jun16

Aurélia de Sousa (1866 - 1922)

Equipa BE

Aurélia de Sousa (1866 - 1922)

 

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 Aurélia de Sousa ao lado do seu autorretrato,

fotografia de Aurélio da Paz dos Reis.

 

 

Maria Aurélia Martins de Souza nasceu a 13 de junho de 1866, em Valparaíso, no Chile, onde o pai fazia então fortuna na construção do caminho-de-ferro. Aurélia vem para o Porto com a família em 1869, aos três anos. O dinheiro amealhado na emigração permitiu ao pai adquirir uma boa casa nas margens do Douro, a Quinta da China, cujos interiores e jardins, e também as belas vistas sobre o rio, servirão de tema a muitas das pinturas de Aurélia – hoje propriedade de António Mota, da construtora Mota-Engil.

 

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 "Autorretrato", Óleo s/ tela, c. 1900.

 

 

O pai de Aurélia morre quando esta tinha oito anos, e a Quinta da China passa a ser um espaço essencialmente feminino, já que a pintora tinha cinco irmãs e apenas um irmão, ao qual se juntará depois mais um  rapaz, fruto de um segundo casamento da mãe. Um dos mais notáveis quadros expostos na Casa Museu Marta Ortigão Sampaio é um óleo mostrando a mãe da artista, manifestamente inspirado no célebre quadro em que o pintor americano James Whistler pintou a sua própria mãe, Arrangement in Grey and Black No.1, de 1871, que estava exposto em Paris, diz Filipa Vicente, no período em que a pintora portuguesa ali estudou.

 

 

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 "Varanda da Quinta da China", óleo s/ tela, Aurélia de Sousa.

 

 

Depois de ter tido, desde os 16 anos, aulas particulares de desenho e pintura com Costa Lima, inscreve-se em 1893, juntamente com a sua irmã Sofia, na Academia de Belas-Artes do Porto, onde foi aluna de Marques de Oliveira. Segue para Paris em 1899, para estudar na já referida Académie Julian, e Sofia junta-se-lhe logo no ano seguinte.

 

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 "Retrato", óleo s/ tela, Aurélia de Sousa, 1896.

 

 

Sem direito a bolsas, que não eram atribuídas depois dos 25 anos, as duas irmãs só conseguem viver e estudar em Paris graças ao apoio financeiro dos seus cunhados, José Augusto Dias, casado com Helena, a irmã mais velha, e Vasco Ortigão Sampaio, casado com Estela, cuja importante coleção de arte foi herdada e prosseguida pela filha Marta, também ela pintora; a casa-museu com o seu nome acolhe agora a exposição dedicada à tia.

 

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 "A costura", óleo s/ tela, Aurélia de Sousa.

 

 

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 "Cena familiar", óleo s/ tela, Aurélia de Sousa, no MNSR.

 

 

Aurélia regressa ao Porto em 1902, não sem antes ter viajado com a irmã por vários países europeus, e nos 20 anos seguintes, até à sua morte, vive com a família na Quinta da China, onde dispõe de um atelier, e decerto também de um laboratório de revelação de fotografias, e participa ativamente nos meios artísticos do seu tempo.

 

Colabora em várias exposições coletivas, vai vendendo algumas obras – “pintou muitas flores, porque vendiam bem, era o gosto da época”, diz Filipa Vicente –, dá aulas particulares, desenvolve um significativo trabalho como ilustradora e experimenta outras técnicas, também documentadas nesta exposição, como a pintura de azulejo. E fotografa. Quer para preencher os álbuns de família, quer para a auxiliar na sua pintura, quer como “prática artística”, num estilo “pictorialista”, que repercute na nova arte preocupações próprias da pintura.

 

 

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 Vaso com flores, Óleo s/ tela, Aurélia de Sousa.

 

 

Aurélia de Sousa morre no Porto, a 26 de maio de 1922.

 

A primeira retrospectiva da obra de Aurélia de Sousa foi realizada 14 anos após a sua morte, em 1936, no Salão de Belas Artes do antigo Palácio de Cristal. Estiveram expostas 266 obras, quase todas vindas de colecções particulares. Uma exposição com ambição semelhante só voltaria a ocorrer em 1973, no Soares dos Reis, onde se mostraram 161 peças. É sobretudo aí que arranca o movimento mais contemporâneo de consagração de Aurélia de Sousa, que passa também pelos trabalhos de Raquel Henriques da Silva ou, entre outros, de Maria João Lello Ortigão de Oliveira, cuja tese de doutoramento, Aurélia de Souza em Contexto: a Cultura Artística no Fim de Século, veio revelar em 2002 várias obras da pintora até então desconhecidas. 

 

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 "A sombra", óleo s/ tela, Aurélia de Sousa, c. 1900-1910.

 

 

Dividida entre a Casa Museu Marta Ortigão Sampaio, no Porto, e o Museu da Quinta de Santiago, em Leça da Palmeira, Matosinhos, a exposição Aurélia, mulher artista, inaugurada esta segunda-feira, celebra os 150 anos de um grande nome da arte portuguesa, Aurélia de Sousa (1866-1922), autora de centenas de pinturas, muitas delas inacessíveis ao público, e de um enorme acervo de fotografias, quase todo ainda por estudar.

 

Esta dupla exposição co-organizada pelas autarquias do Porto e de Matosinhos homenageia Aurélia de Sousa, que só nas últimas décadas tem sido reconhecida como uma das artistas portuguesas de maior relevo, ao lado de Columbano Bordalo Pinheiro, Henrique Pousão ou António Carneiro.

 

In Público.pt/Cultura Ípsilon

NB: Texto editado pela Equipa BE.

  

14
Jun16

Karl Landsteiner (1968 - 1943)

Equipa BE

Karl Landsteiner (1968 - 1943)

 

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Hoje é o 148.º aniversário de Karl Landsteiner, que nasceu em Baden, na Áustria, no dia 14 de junho de 1868 e faleceu em Nova Iorque, no dia 26 de junho de 1943. Foi um médico e biólogo austríaco naturalizado norte-americano, agraciado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1930, pela descoberta e classificação dos grupos sanguíneos, o sistema A, B, AB, e O em 1901. Foi também o descobridor do factor RH.

 

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Landsteiner dedicou-se a comprovar que havia diferenças no sangue de diversos indivíduos. Ele colheu amostras de sangue de diversas pessoas, isolou os glóbulos vermelhos e fez diferentes combinações entre plasma e glóbulos vermelhos, tendo como resultado a aglutinação dos glóbulos em alguns casos, formando grânulos, e em outros não. Landsteiner explicou então por que razão algumas pessoas morriam depois de transfusões de sangue e outras não.

 

Em 1930 recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina por este trabalho.

 

Foram muitos as suas contribuições científicas nos campos da anatomia patológica, histologia e imunologia.

 

Karl Landsteiner é recordado por ter sido um dos proponentes do termo anticorpo, para as substâncias responsáveis pela aglutinação do sangue.

 

Além disso, os seus trabalhos de investigação na área da imunologia, a par dos trabalhos do colega cientista Erwin Popper, conduziram à descoberta da vacina contra a poliomielite ou paralisia infantil, uma doença infecciosa viral aguda epidémica que afetou milhões de crianças em todo o mundo. Foi em 1908 que Karl Landsteiner identificou o seu agente causador, o poliovírus.

 

In Wikipédia

 

02
Jun16

Almeida Garrett (1799-1854)

Equipa BE

 Almeida Garrett (1799 - 1854)

 

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João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett e mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett (Porto, 4 de fevereiro de1799 — Lisboa, 9 de dezembro de 1854), foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.

 

Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

 

Uma boa biografia: 

 

 

 

 

Para leres as obras literárias de Almeida Garrett em formato digital, consulta a Biblioteca Digital Almeida Garrett da Biblioteca Nacional de Portugal ou clica na imagem:

 

Biblioteca Almeida Garrett

 

 

 

02
Mai16

Vitorino Nemésio (1901 - 1978)

Equipa BE

Vitorino Nemésio (1901 - 1978)

 

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Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva nasceu no dia 19 de Dezembro de 1901 na Praia da Vitória, nos Açores.
Este foi um poeta, escritor intelectual de origem açoriana que se destacou como romancista, autor de Mau Tempo no Canal, e professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Vitorino Nemésio, em 1916, fundou a revista literária “Estrela d’Alva” e em 1921, foi redator dos jornais “A Pátria”, “A Imprensa de Lisboa” e “Última Hora”, em Lisboa.
 
Conclui o liceu em Coimbra e ingressou na Faculdade de Direito, em 1922, e no ano seguinte começou a colaborar na revista “Bizâncio” de Coimbra. Nesse mesmo ano conheceu Unamuni em Salamanca, quando pela primeira vez, viajou para Espanha, com o Orfeão Académico.
 
 

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 Vitorino Nemésio em 1925.

 
 
 
Abandonou o curso de Direito em 1924 e matriculou-se na Faculdade de Letras, em Ciências Histórico-Geográficas.
 
Fundou a revista “Tríptico” com a ajuda de algumas pessoas e  em 1925 optou definitivamente pelo curso de Filologia Românica e foi nesse ano que surgiu o jornal “Humanidade”, um quinzenário de Estudantes de Coimbra, tendo sido Vitorino Nemésio o seu redator principal. Em 1926 fundou e dirigiu com Paulo Quintela, Cal Brandão e Sílvio Lima, o jornal “Gente Nova”, um jornal republicano académico e a partir de 1928 passou a colaborar na revista “Seara Nova”. 
 
Em 1930 colaborou na revista “Presença”, com textos poéticos e transferiu-se para a Faculdade de Letras de Lisboa, começando a pesquisa sobre Herculano, que o ocupou até ao fim da vida.
 
Lecionou Literatura Italiana e também Literatura Espanhola. Em 1934, doutorou-se em Letras, com “A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio”.
 
Em 1937 fundou e dirigiu a “Revista de Portugal”, em Coimbra e no mesmo ano, partiu para a Bélgica, onde lecionou na Universidade Livre de Bruxelas durante dois anos, regressando depois a Portugal, em 1939, para lecionar na faculdade de Letras de Lisboa.
 
Foi editada a primeira edição de “O Mau Tempo no Canal”, em 1944, que recebeu o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências, no ano seguinte.
 
 

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 A 1.ª edição de "Mau Tempo no Canal".

 

 

 
Começou a viajar para o Brasil e lecionou lá, tornando-se também durante um período de dois anos, diretor da Faculdade de Letras de Lisboa.
 
Em 1965 foi doutorado honoris causa pela Universidade Paul Valery, de Montpellier, e no mesmo ano recebeu o Prémio Nacional de Literatura, pelo conjunto da sua obra.
 
A 12 de Dezembro de 1971, pronunciou a sua “Última Lição” na Faculdade de Letras de Lisboa, onde lecionara durante quase quarenta anos.
 
Em 1974 recebeu o Prémio Montagine, da Fundação Freiherr von Stein/Friedrich von Schiller, de Hamburgo. Vitorino tem as suas obras traduzidas em italiano, francês, inglês, alemão, entre outras. 
 
Vitorio Nemésio faleceu em Lisboa, em 20 de fevereiro de 1978, e foi sepultado em Coimbra. Nesse ano, foi publicado o primeiro estudo em livro que lhe é consagrado: “Vitorino Nemésio, a Obra e o Homem”.
 
Podes assistir à série de programas televisivos de Vitorino Nemésio "Se bem me lembro..." e outros vídeos, na Coleção Vitorino Nemésio do Arquivo RTP (clica na imagem abaixo para seres direcionado/a para lá):
 
 

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In vitorinonemésio-pp.blogspot.pt
NB: Texto editado pela Equipa BE.
 

 

25
Abr16

Salgueiro Maia (1944 - 1992)

Equipa BE

Salgueiro Maia (1944 - 1992)

 

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 Salgueiro Maia em Lisboa, na Revolução do 25 de abril de 1974.

 

 

Militar português, Fernando José Salgueiro Maia nasceu em 1 de julho de 1944, em Castelo de Vide, e morreu a 4 de abril de 1992, no Hospital Militar de Belém (Lisboa). 

 

Filho de um ferroviário, Francisco da Luz Maia, e de sua mulher, Francisca Silvéria Salgueiro, frequentou a Escola Primária em São Torcato, Coruche, fixando-se subsequentemente em Tomar; concluiu o ensino secundário no Liceu Nacional de Leiria (hoje Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo), ingressando, em outubro de 1964, na Academia Militar, em Lisboa.

 

Acabado o curso, Salgueiro Maia foi colocado na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio (estágio). Na mesma instituição, ascendeu a comandante de instrução e integrou uma companhia dos comandos na Guerra Colonial como alferes-comando em Moçambique.


Já com o posto de capitão, na madrugada de 25 de abril de 1974, dirigiu as tropas revolucionárias de Santarém até Lisboa, tornando-se uma das figuras-chave do golpe. Tomou os ministérios do Terreiro do Paço e o quartel da Guarda Nacional Republicana, no Carmo, onde estava refugiado o chefe do Governo, Marcello Caetano, que se lhe rendeu. Assim se deu a queda do Estado Novo.

 

A revolta militar foi desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou o regime praticamente sem o emprego da força e sem provocar vítimas. Os dois únicos momentos de tensão foram protagonizados pelo próprio Salgueiro Maia: o primeiro foi o encontro com um destacamento de blindados, até então obediente ao Governo, resolvido quando estas tropas tomaram posição ao lado dos revoltosos; o outro ocorreu quando o capitão mandou abrir fogo sobre a parede exterior do quartel da GNR. 

 

Depois da revolução, viria a licenciar-se em Ciências Políticas e Sociais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa. Retomando modestamente o rumo da sua carreira militar, o capitão Salgueiro Maia recusou as honrarias que o regime democrático lhe quis atribuir. Todos os anos é recordada a sua coragem e a sua determinação aquando das comemorações do 25 de abril.

 

 

 

 

In Infopédia Wikipédia

 

22
Abr16

O nome dele era Prince e uma parte do "funk" morreu

Equipa BE

 

O nome dele era Prince e uma parte do funk morreu

 

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Estrela musical e autor de títulos tão emblemáticos como "Purple rain" e "When doves cry" foi encontrado morto em sua casa, em Minneapolis, aos 57 anos.

 

"My name is Prince, and I am funky / My name is Prince, the one and only", apresentava-se no seu single My Name is Prince, de 1992. O ícone musical Prince morreu esta quinta-feira aos 57 anos, desaparecendo assim um dos mais profícuos autores das últimas décadas não só enquanto cantor mas também autor, instrumentista e performer. Um dos mais influentes artistas desde a década de 1970, é autor de Kiss, Little red Corvette, Purple rain ou When doves cry, alguns dos temas que marcam a sua história, durante a qual chegou a ser símbolo – literalmente  – img-1011837-simbolo-do-prince-galeriae a ser O Artista Anteriormente Conhecido como Prince, uma de várias facetas da sua crítica aos mecanismos da fama, da indústria e da tecnologia.

 

(...)

 

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Para Pedro Abrunhosa, o Prince "era um multi-instrumentista notável" –, frisa a importância de Minneapolis para Prince e a importância de Prince para Minneapolis, cuja "cena musical é fascinante" e de onde é também oriundo Bob Dylan. "Tem uma grande tradição de música negra mas também uma grande tradição da música branca. Prince cruza essas vertentes. E é o James Brown e o Jimi Hendrix num só."

 

Para Paulo Furtado, também conhecido como The Legendary Tigerman, "foi o único músico da sua geração que compreendeu a essência da soul, do funk e de toda a música afro-americana". Fê-lo, acrescenta, "com uma capacidade de reformulação e de reinvenção impressionantes, como ainda mais ninguém fez": "A influência dele no mundo moderno e na música de hoje é enorme e é uma pena que tenha morrido tão cedo e com tanto ainda para dar." Abrunhosa concorda, falando da forma como Prince "reinventa o blues e o o funk", como "o som da bateria, as linhas de baixo, a maneira de tocar guitarra" e, em suma, da "maneira imensa como Prince vivia a música".

 

 

 

 

 

Prince Rogers Nelson nasceu em 1958 em Minneapolis. O pai era pianista e compunha canções, a mãe era cantora de jazz. Começou a trabalhar no final da década de 1970 e em 1984 lançou "Purple Rain" – uma afirmação criativa tripla. É um tema-chave dos anos 1980, o álbum que o impulsionou para o sucesso no mainstream e ainda o filme homónimo de Albert Magnoli que marca também a estreia de Prince como actor no cinema. Esse filme deu a Prince o seu único Óscar, de Melhor Banda Sonora Original, em 1985. Realizaria vários dos seus vídeos e alguns filmes, muitos dos quais no quinto estúdio de Paisley Park, como relata Pedro Abrunhosa. Em 1993 mudava o seu nome legalmente para um símbolo, mas mais tarde reverteria essa decisão e voltaria a ser conhecido como Prince.

 

Ao longo da sua carreira editou 39 álbuns, a solo ou com a New Power Generation (anos 1990) ou as 3rd Eye Girl (década de 2010), dos quais dois editados em 2015 – "HITnRUN Phase One" e "Two". Vendeu mais de cem milhões de discos. Recebeu sete Grammys e foi integrado no Rock and Roll Hall of Fame em 2004. Foi casado duas vezes, perdeu um filho ainda bebé e tornou-se Testemunha de Jeová e vegan. Apesar de ser cioso da sua privacidade são-lhe conhecidos vários romances com estrelas. Tinha acabado de anunciar que iria publicar as suas memórias em 2017. É uma incógnita o que sucederá agora com a obra.

 

Joana Amaral Cardoso in Publico.pt/culturaipsilon

 NB: Texto editado pela Equipa BE.

 

01
Mar16

Vergílio Ferreira (1916 - 1996)

Equipa BE

Vergílio Ferreira (1916 - 1996)

 

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Vergílio António Ferreira (Gouveia, Melo, 28 de janeiro de 1916 — Lisboa, 1 de março de 1996) foi um escritor, ensaísta e professor português. Tem uma biblioteca com o seu nome em Gouveia.

 

Embora formado como professor (veja-se a referência aos professores de Manhã Submersa e Aparição), foi como escritor que mais se distinguiu. O seu nome continua actualmente associado à literatura através da atribuição do Prémio Vergílio Ferreira. Em 1992, foi galardoado com o Prémio Camões.

 

A sua vasta obra, geralmente dividida em ficção (romance, conto), ensaio e diário, costuma ser agrupada em dois períodos literários: o Neorrealismo e o Existencialismo. Considera-se que Mudança é a obra que marca a transição entre os dois períodos férteis. Vergílio Ferreira tinha vários hobbies: pintura, futebol e xadrez.

 

Vergílio Ferreira nasceu em Melo, aldeia do concelho de Gouveia, na Beira Alta, a meio da tarde do dia 28 de janeiro de 1916, filho de António Augusto Ferreira e, de Josefa Ferreira que, em 1927, emigraram para o Canadá, em busca de uma vida melhor, ficando Vergílio com os irmãos mais novos. Esta dolorosa separação é descrita em Nitido Nulo. A neve - que virá a ser um dos elementos fundamentais do seu imaginário romanesco - é o pano de fundo da infância e adolescência passadas na zona da Serra da Estrela. Aos 12 anos, após uma peregrinação a Lourdes, entra no seminário do Fundão, que frequentará durante seis anos. Esta vivência será o tema central de Manhã Submersa.

 

Em 1936, deixa o seminário e acaba o Curso Liceal no Liceu da Guarda. Entra para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, continuando a dedicar-se à poesia, nunca publicada, salvo alguns versos lembrados em Conta-Corrente e, em 1939, escreve o seu primeiro romance, O Caminho Fica Longe. Licenciou-se em Filologia Clássica em 1940. Concluiu o Estágio no Liceu D.João III (1942), em Coimbra.

 

Começa a lecionar em Faro. Publica o ensaio "Teria Camões lido Platão?" e, durante as férias, em Melo, escreve Onde Tudo Foi Morrendo. Em 1944, passa a lecionar no Liceu de Bragança, publica Onde Tudo Foi Morrendo e escreve Vagão J que, publicou em 1946, no mesmo ano em que se casou, com Regina Kasprzykowsky, professora polaca que se encontrava refugiada em Portugal da guerra e, com quem Vergílio ficará até à sua morte. Após uma passagem pelo liceu de Gouveia (onde escreveu o mundialmente conhecido romance Manhã Submersa, corria o ano de 1953), fixa-se como docente em Lisboa, lecionando o resto da sua carreira no Liceu Camões.

 

vergilio ferreira - escritor  porruguês..

 Vergílo Ferreira no seu gabinete.

 

 

De acordo com a Infopédia, "a partir dos anos 60, o seu ensaísmo revela o contacto com o existencialismo, reflexão filosófica que marcará uma conversão profunda numa novelística cujo ponto de viragem se anunciara com a publicação de Aparição (Prémio Camilo Castelo Branco) e que atingirá plena maturidade em Alegria Breve. As sombras tutelares de Sartre, Camus ou Malraux, enquanto angustiada indagação existencialista sobre a condição humana, determinam, então, uma escrita que, tendo como precursor um mestre como Raul Brandão, assume até ao limite da vertigem, e raiando o patético, a dissolução do género romanesco, levando para primeiro plano a voz de um ser pensante, um ininterrupto monólogo interior ampliado espiralmente a partir de um eixo temático onde predomina a inquietação metafísica e existencial."

 

A 3 de Setembro de 1979 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

 

Em 1980, o realizador Lauro António adapta para o cinema o romance Manhã Submersa e Vergílio Ferreira interpreta um dos principais papéis: o de Reitor do Seminário, contracenando assim com outros grandes vultos da cena portuguesa, tais como: Eunice Muñoz, Canto e Castro, Jacinto Ramos e Carlos Wallenstein. Em 1992, foi eleito para a Academia das Ciências de Lisboa, e no mesmo ano recebeu, pelo conjunto da obra, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário dos países de língua portuguesa. 

 

Vergílio Ferreira morreu no dia 1 de março de 1996, em sua casa, em Lisboa, na freguesia de Alvalade. O funeral foi realizado no cemitério de Melo, sua terra natal e, a seu pedido, o caixão foi enterrado virado para a Serra da Estrela.

 

Foi dado o seu nome a um importante prémio literário: Prémio Nacional de Literatura Vergílio Ferreira, instituído em 1997, pela Câmara Municipal de Gouveia. Este prémio pretende distinguir anualmente todas as obras de autores portugueses, na área da poesia, ensaio e romance. O prémio tem um valor pecuniário de 4000 euros, distingue bienalmente, de forma alternada, um romance e um ensaio literário e a obra vencedora é editada pelo Município de Gouveia.

 

Para saberes mais e leres uma interessante entrevista dada por Vergílio Ferreira a Pedro Rolo Duarte, clica aqui: A Gota de Ran Tan Plan - Entrevista: Vergílio Ferreira.

 

 

In Wikipédia e Infopédia

NB: Texto editado pela Equipa BE.

 

 

24
Fev16

Steve Jobs (1955 - 2011)

Equipa BE

Steve Jobs (1955 - 2011)

 

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Steve Jobs, inventor, empresário e magnata norte-americano, notabilizou-se como co-fundador, presidente e diretor executivo da Apple Inc. e por revolucionar seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicações digitais.[7] Além de sua ligação com a Apple, foi diretor executivo da empresa de animação por computação gráfica Pixar e acionista individual máximo da The Walt Disney Company.

 

No final da década de 1970, Jobs, em parceria com Steve Wozniak e Mike Markkula, entre outros, desenvolveu e comercializou uma das primeiras linhas de computadores pessoais de sucesso, a série Apple II. No começo da década de 1980, ele estava entre os primeiros a perceber o potencial comercial da interface gráfica do utilizador guiada pelo rato (informática), o que levou à criação do Macintosh.

 

Depois de perder uma disputa de poder em 1985, Jobs foi demitido da Apple e fundou a NeXT, uma companhia de desenvolvimento de plataformas direcionadas aos mercados de educação superior e administração. A compra da NeXT pela Apple em 1996 levou Jobs de volta à companhia que ele ajudara a fundar, sendo então o seu diretor executivo de 1997 a 2011, ano em que anunciou sua renúncia ao cargo, recomendando Tim Cook como sucessor.

 

Leitura recomendada: a biografia de Steve Jobs, por Walter Isaacson, da editora Objectiva, recomendada pelo Plano Nacional de Leitura:

 

9789896721213

 

 

Steve Jobs nasceu a 24 de fevereiro de 1955 em São Francisco, filho de Joanne Schieble Jandali Simpson, nascida em Wisconsin, numa família protestante calvinista, e de Abdulfattah Jandali, membro de uma proeminente família síria muçulmana, proprietária de poços de petróleo, empresas e propriedades agrícolas. O casal conheceu-se em meados dos anos 50 na Universidade de Wisconsin.

 

Por ser um amor proibido pelas duas famílias, e sem receber notícias de Jandali, que tinha ido para a Síria tentar conseguir um emprego que os pudesse sustentar aos dois e ao bebé, a sua mãe, ainda muito jovem, sozinha num abrigo para mães solteiras e perante os obstáculos sociais que na época se levantavam à condição de mãe solteira, ao que se somava a tremenda pressão familiar, optou por dar o seu filho para adoção. Steve foi adotado então por Paul Reinhold Jobs, mecânico e ex-membro da guarda costeira e Clara Hagopian Jobs, filha de imigrantes armênios, tendo a mãe exigido que Paul assinasse um compromisso em como criaria um fundo financeiro que assegurasse à criança a frequência da universidade... 

 

Steve Jobs faleceu no dia 5 de outubro de 2011, aos 56 anos, com cancro pancreático, deixando quatro filhos.

 

In Wikipédia e Citador.pt

NB: Texto adaptado pela Equipa BE.